Eu versus o mundo

Acredite no que digo, eu sou péssimo!

Péssimo para falar de mim mesmo, péssimo pra demonstrar o que eu sinto, péssimo para discutir relações e péssimo em mais uma série de outras situações. Mas vamos detenhamo-nos no “péssimo para falar de mim mesmo”.

E sabe por que sou péssimo pra falar de mim? Porque eu não sou interessante! É verdade, eu não sou interessante. Eu posso ter lá minhas qualidades, mas as qualidades das quais sou dotado, são obsoletas nos dias atuais. Eu tenho um Ego bem grande, um monte de assuntos e uns pares de brincos nas orelhas!

Sejamos objetivos, do que tudo isso adianta? Quem que ainda procura por isso? Eu não sou legal, não sou popular, não tenho um carro rebaixado (aliás, diga-se de passagem, eu nem carro tenho). O que alguém pode querer com um ser assim, como eu?

Eu também não sou nenhum galã, não me chamam pra essas festas que aparecem na TV, nunca tentaram comprar o meu voto, não sou dono de nada que renda milhões por ano, não ando com roupas de marca, não tenho uma tatuagem, não ando com a “galerinha descolada”, acho que não tenho nada que me faca socializar com as pessoas populares.

Nada. Não tenho nada disso. Não tenho nada dessas coisas que tornam um homem interessante aos olhos femininos contemporâneos.

Pessoas como eu – se é que ainda existem – estão condenadas a uma extinção sumária, bárbara e impiedosa. Todos os românticos que creram em coisas similares as quais ainda acredito, são e serão dizimados pela pressão dos novos tempos. Maldita modernidade!

Modernidade é sinônimo de vácuo. Sinônimo de um incomensurável rombo atrás da caixa torácica que aumenta a cada dia vivido dentre essa corja de pessoas estressadas, mal educadas, sem tempo e ignorantes e incongruentes. A modernidade é uma desculpa para fazermos fútil a vida alheia, trancarmo-nos em uma redoma de ego, estupidez e passarmos à vida inteira tentando chegar ao topo de uma hierarquia social feita de isopor. Chega um ponto na vida de uma pessoa, em que ela fica na tênue linha entre desprezar uma pessoa e querer sua opinião. Isso é ridículo! Ridículo mas ainda faço isso. Ridículo, mas sofro desses problemas de Ego.

Não sei a razão, não sei o que acontece, mas parece que tudo hoje em dia perdeu a alma. Foi-se o tempo em que você podia subornar um amigo com uma chantagem emocional do tipo: “se você fosse meu amigo você faria isso”. Hoje em dia, se você disser isso a alguém, a pessoa olha dentro dos seus olhos e te diz: “quem disse que sou seu amigo?

Mentira? É nada! As provas estão a toda volta! Não existem mais amigos como os de antigamente, ninguém se importa mais com as pessoas. É tudo eu, e eu, e eu! E claramente, sou mais importante que qualquer outra coisa.

E sou assim mesmo. Na grande maioria dos dias eu me sinto como um punheteiro vitorioso, solitário e impróspero. Existem dias em que tenho surtos de realidade. E aí é tudo doloroso, tudo cinza. Triste saber que a realidade é cruel, triste saber que as pessoas não se importam com os outros. O problema aqui não sou nem eu, o problema não é que não se importam comigo, o problema é não se importar com ninguém. Triste saber que parece não haver futuro.

Às vezes reparo em todos a minha volta e vejo que sou o único que tem tais pensamentos. Talvez não esteja gozando de minhas plenas faculdades mentais.

Mudando um pouco o prisma da conversa, eu sinto pena de algumas mulheres que me desprezaram. Sinto pena, pois elas me desprezam e desprezaram do fundo da alma como se eu fosse um lixo do pior lixão. Me consola saber que todas não parecem gozar de um bom futuro, vão virar donas de casa e vão viver vidas medíocres, que cedo ou tarde vão começar a  esconder o passado que as condena. Eu posso estar louco, mas é assim. E vai ser assim. Que tipo de futuro terão elas? Olha os tipinhos! Olha os tipinhos que eu acho que posso ter futuro um futuro com. A culpa é minha. Claro que é… Mas elas são bonitas, e como são bonitas. Elas tem corpos perfeitos e sarados. E são loiras e são gostosas e todos os carniceiros correm atrás.

Achei justo! Quem ouvir isso, é lógico, que vai pensar que estou puxando pano pro meu lado, mas não é. Elas perderam uma oportunidade única de conhecer todo um mundo novo que tenho a oferecer (ou não) e a justiça divina há de ser feita.

Querendo ou não, eu sei o que vai acontecer aqui hoje! Mesmo depois de tudo o que rolou entre nós enquanto nos abraçávamos, mesmo depois de nossas pequenas confissões mentirosas e conclusões incongruentes, você não vai ficar comigo. Nunca! Pelo simples fato de que nunca ficam. E sabe por que você não vai ficar comigo? Por que eu não sou interessante (para você) e você é fraca demais (para mim). Você vai falar que acabou de sair de um relacionamento. Aliás, as desculpas são ótimas, quase que um mantra. Acabou de sair de um relacionamento, não está preparada para algo sério, ou pior que isso, nós somos amigos e isso vai estragar a amizade. Ah, desculpa, te vejo como um irmão.

Mentira! TUDO MENTIRA!

Você não queria nada desde cedo. Apenas não assumiu isso antes. Porque não falou? Talvez até termine com um clássico “adorei muito conversar com você, você é um amor, mas o problema sou eu”. E pra acabar de foder com todo meu “romantismo a um passo da extinção” vai dizer: “quem sabe na próxima”. E nessa hora, sentirei uma infindável pena de você e um ódio mortal de mim mesmo. Ódio por achar que um dia as pessoas podem mudar. Talvez eu também seja um total incompetente, com certeza vou pensar isso. E muito!

Pena de você, por você ser tão minúscula a ponto de deixar a “barreira dos estilos” estacionar entre nós. Eu tenho pena de mim mesmo, por ter perdido meu tempo com alguém tão insignificante quanto você. Sentirei ódio de mim mesmo, por sempre abrir meu coração a uma pessoa que merece, no máximo, um atum enlatado. Sentirei ódio, um ódio descomunal de mim mesmo, por ter acreditado que você era diferente, mesmo sabendo que você é só mais uma…

Eu sou um idiota as vezes. Quase sempre.

 

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