Delusao’s Weblog

Filosofia de bar

Torneiras abertas à toa. Brian, eu ainda não tô bêbado, relaxa. Tenho certeza, encontrarei a Resposta Definitiva, aí sim é motivo pra você começar a se preocupar, ok? Teve uma vez que bebi tanto que achei que tinha virado médium, incorporei o Nietzsche, a Rita Hayworth e o Wilson Grey na mesma noite. Meus amigos sentiram que era hora de me arrastar pra casa quando passei da fase alegre e engraçada para a depressao profunda. Mas eu tô bem, eu tô bem. Do que é que estava falando? Ah sim, torneiras.

O problema deste mundo são esses amores não-correspondidos e desperdiçados a toda hora, entende? Como paixões que são despertadas negligentemente, ilusões platônicas que acabam com gosto de soco na alma, noites de sexo mal interpretadas, amores exilados que não encontram seu lugar no mundo, como peças extraviadas de um quebra-cabeça. O problema todo se resume nisso: corações e cérebros não falam a mesma língua. A vida seria muito menos dolorida se a gente tivesse o dom de se apaixonar por aquela pessoa que nos oferece o coração. Deveria ser tudo questão de um clique, e pronto: aquela amiga que a gente só consegue enxergar como confidente assexuado se transformaria no mulher da nossa vida. Mas não, não neste rascunho porco de mundo em que vivemos. Quem sabe na versão 2.0.

Sim, eu sei, não precisa falar. Você falou que eu ia me estrepar com aquela menina, mas deixou de usar pedagogia comigo, pô. Sim, pode rir, vou fazer o quê? Você se esquece do quanto todo homem é crianção e imaturo, e de como a gente se torna repentinamente burro quando se interessa por alguém? Esses lances de sermões, do tipo “filho não coma o que caiu no chão”, “cuidado com as más companhias”, “não aceite balas nem arquivos atachados de estranhos”, yada yada yada, não dão certo. Tem que quebrar a cara pra aprender, errar, cometer novos erros. Mas deixa pra lá. Fala sério, esse vinho não parece que fica melhor a cada gole?

Agosto 6, 2007 - Publicado por GET SMART | Pensamentos | | 1 Comentário

1 Comentário »

  1. Torneiras abertas e vinho.

    A essência da inocência é a pureza da alma. A pureza da alma é o que sobrou da infância. É aquele “finzinho” da infância, aquele não te inibe em público, que faz você brincar com os canudos do Mcdonalds, correr que nem um louco no meio do shopping center, fazer piada e rir sozinho bem alto.
    Acredite em mim, a mulher da sua vida é aquela que sentou ao seu lado na escola e você nunca notou. Mas ela sempre. Um relacionamento puro, de fato infantil. Sem nada de mais. Mas um amor puro. Límpido.
    Tudo bem, poderiamos usar o raciocinio para se apaixonar. Mas e o sofrimento? E a dor de “se dar mal”? Não existe raciocínio que sinta isso e nenhum homem iria aprender a valorizar um amor de verdade.
    Não me interprete como um otimista. Muito pelo contrário. É que a única coisa que me resta de bom nessa vida é meu amor.
    Pois é, pois é. Tormeiras abertas.

    Comentário por felipeschmidt | Agosto 21, 2007


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